Alain Delon é mais do que um ator. Ele é um símbolo de uma época, um ícone de estilo e um padrão de beleza masculina, seguido pelo público durante décadas. A sua vida dentro e fora das telas foi cheia de paixões, ousadia e escândalos, que apenas alimentaram a sua lenda.
Mas por trás da fachada deslumbrante da estrela, muitas vezes ficavam aquelas que pagavam um alto preço pela proximidade com esse sol. Mulheres cujos destinos se entrelaçaram intimamente com o dele. As suas histórias não são apenas manchetes de jornais, mas um reflexo do caráter complexo e, às vezes, doloroso de Delon.
Neste artigo, vamos conhecer cinco mulheres marcantes que a vida colocou no caminho dele. As suas histórias são muito diferentes — desde romances turbulentos a ligações profundas. Mas elas têm uma coisa em comum: todas elas enfrentaram o lado sombrio do charme de Delon e saíram dessas relações não só com memórias, mas também com feridas profundas.
Romy Schneider
Os atores conheceram-se em 1958, durante as filmagens do filme «Christina». Romy Schneider já era famosa naquela altura, enquanto Alain Delon estava apenas a começar a sua carreira. «Um rapaz demasiado bonito, demasiado bem penteado, demasiado jovem, vestido como um cavalheiro. Eu pensei: que vulgar, e esse rapaz é simplesmente deprimente! E ele ficou com vontade de vomitar — foi assim que ele se expressou de forma grosseira sobre o assunto. Uma vaidosa e doce tola vienense, sem o menor charme. Ele não falava inglês, eu não falava francês. Tivemos que nos comunicar numa mistura horrível de idiomas. Éramos irremediavelmente banais e não gostávamos um do outro», contou Romy sobre a primeira impressão que tiveram um do outro. Apesar disso, logo o relacionamento dos atores ultrapassou os limites do set de filmagem. Um ano depois, Alain e Romy ficaram noivos e foram, durante quase seis anos, o casal mais bonito do cinema europeu. O romance deles chegou a ser chamado de «a história de amor do século».

Mas o tão esperado casamento nunca aconteceu. Schneider perdoava todas as traições do belo de olhos azuis, mas isso não ajudava. A certa altura, Delon não conseguiu mais suportar a paciência infinita da noiva e a abandonou. Com uma nota — ele teve medo de falar com ela pessoalmente. Naquela altura, a sua nova amante, Nathalie Barthélemy, já estava grávida. «Eu estava a filmar nos Estados Unidos. Voltei e o apartamento em Paris estava vazio, não havia ninguém. Havia um ramo de rosas e, ao lado, um bilhete: “Estou a ir para o México com a Natalie, tudo de bom para ti. Alain”», contou Romy Schneider. A atriz teve dificuldade em superar a traição do noivo.
No entanto, ao longo de toda a vida, eles mantiveram uma relação neurótica, como se costuma dizer hoje em dia — os ex-namorados não conseguiam esquecer um ao outro e até apareciam juntos periodicamente. Por iniciativa de Delon, eles contracenaram juntos em dois filmes, um dos quais — o cultuado «A Piscina» — interpretaram um casal apaixonado.

Por culpa de Delon ou não, o destino de Romy foi muito trágico — a atriz mais bonita da sua época praticamente nunca foi feliz. Em 1982, ela se suicidou após a morte do filho. Delon escreveu uma carta aberta para uma revista, que começou com as palavras «Adeus, minha boneca!».
Alain Delon é um ícone do cinema francês, cujo carisma enlouqueceu milhões de pessoas. Mas por trás do brilho da sua fama estão histórias de dor e desilusão de cinco mulheres que o amaram verdadeiramente e, em troca, receberam frieza, traição ou crueldade descarada. Os seus romances raramente terminavam bem: algumas abandonavam a carreira, outras perdiam a saúde, outras ainda não conseguiam recuperar das feridas emocionais. Delon sabia inspirar, mas não sabia proteger. O amor por ele muitas vezes tornava-se uma armadilha — bonita, mas destrutiva.
Natalie Delon
O ator Alain Delon deixou Romy Schneider pela modelo e atriz Natalie Barthelemy. E foi com ela que o ator decidiu, pela primeira e última vez na vida, constituir família. Natalie impôs uma condição ao mulherengo: se ele não parasse com todos os seus casos extraconjugais, ela o deixaria. O ator fez a escolha a favor da moça e pediu-a em casamento. Em 1964, Natalie deu à luz o filho de Alain, Anthony.

Todos notavam que ele e Natalie eram muito parecidos, tanto no temperamento quanto na aparência. Os autores de livros biográficos sobre Delon escreveram que nela ele encontrou a personificação de sua mãe, com quem também eram muito parecidos. Outra versão dizia que, sendo um narcisista conhecido, ele simplesmente se apaixonou pelo seu próprio reflexo.

«Desde o primeiro dia, começámos a discutir e a gritar um com o outro. Alain, explosivo e imprudente, irritava-se com qualquer motivo — mas eu também não deixava passar nada», contou Nathalie. «Amávamo-nos entre crises de riso e de raiva». Por falar em raiva, certa vez, Nathalie destruiu a porta do quarto deles com um tiro de pistola. O casamento do casal durou quase cinco anos — eles se divorciaram em 1969, no Dia dos Namorados.
Nico
Ainda durante o relacionamento com Romy Schneider, Delon teve o seu primeiro filho — fruto de um breve romance com a cantora, atriz e modelo alemã Nico, amiga de Andy Warhol e vocalista da lendária banda The Velvet Underground. Só que o ator se recusou terminantemente a reconhecer o filho. Nico não podia dar atenção suficiente ao bebé, que passava a maior parte do tempo na «Fábrica» de Warhol, entre a boémia que se divertia e consumia substâncias proibidas. No final, os pais de Alain Delon adotaram o menino e até lhe deram o seu apelido. Apesar de Ari Boulogne ter crescido muito parecido com o ator, Delon ainda não reconhece a sua paternidade. Como era de se esperar, Ari Boulogne odeia Alain Delon, culpa-o pelo sofrimento da sua mãe e, sempre que pode, chama-o de monstro sem coração.
Dalida
Entre Dalida e Alain Delon, a faísca surgiu ainda nos anos 50, quando ambos eram desconhecidos e moravam na mesma vizinhança. Mas o verdadeiro romance só começou nos anos 60, enquanto Delon estava noivo de Romy Schneider. Dalida saiu do relacionamento com Delon com o mínimo de perdas — a cantora estava ciente da natureza volúvel do amante e não contava com um relacionamento sério com ele. Em 1973, dois anos após a separação, eles gravaram a canção Paroles Paroles, que se tornou um sucesso mundial.

Mais tarde, Alain Delon descreveu assim a história da relação deles no seu livro: «Eu mal conseguia sobreviver, trabalhava à noite e, de manhã, voltava para o meu pequeno quarto de hotel na rue Jean Mermoz, perto dos Campos Elísios. No mesmo andar, em outro sótão, morava uma tal Yolanda Gilotti. Sonhávamos com a fama e a luz. Dez anos depois, ela tornou-se Dalida e eu, Delon. E nos encontramos em Roma. Amávamo-nos longe dos olhares curiosos e dos paparazzi, e os poucos testemunhos da nossa relação mantiveram silêncio durante muitos anos. Só lamento uma coisa: não ter ligado para ela antes de ela decidir acabar com a própria vida. Dalida faleceu em 1987, após tomar uma grande dose de soníferos.
As histórias dessas cinco mulheres mostram que, por trás da fachada brilhante de uma estrela, muitas vezes se escondem feridas profundas que ele deixou para trás. Alain Delon era, sem dúvida, um ícone de estilo e talento, mas na vida pessoal ele muitas vezes se mostrava frio, egocêntrico e causador de dor.
O amor por ele tornou-se um teste para muitas pessoas, e a separação — uma catástrofe dolorosa. As mulheres ao seu lado enfrentaram as suas traições, indisponibilidade emocional e desprezo público, o que feriu profundamente a sua reputação e autoestima.
É importante lembrar que a genialidade na tela não justifica a crueldade na vida. Essas histórias são um lembrete amargo de que mesmo os romances mais intensos podem se transformar em uma sombra que perdura por muitos anos depois que as câmaras são desligadas.









